Tem sido um motivo frequente de preocupação em função de sua alta incidência, principalmente nas classes mais abastadas, pelo maior consumo de alimentos pouco nutritivos e em grandes quantidades. Além da preocupação estética, a obesidade está intimamente relacionada com a hipertensão arterial, alterações cardíacas, diabettis melitus e outras patologias.

Graças à sua complexidade, há uma necessidade de atuação multiprofissional. É um distúrbio do estado nutricional traduzido por um aumento do tecido adiposo, reflexo do excesso de gordura resultante do balanço positivo de energia na relação ingestão-gasto calórico. Pode se desenvolver por alguns fatores:

caráter familial – alerta para se desenvolver ações profiláticas pois um adulto obeso tende a ter filhos com grande chance de desenvolverem a obesidade e também tornarem-se adultos obesos;
fatores endócrinos – responsáveis por um pequeno número de casos;
fatores psicológicos atrelados à falta de exercícios físicos;
renda, hábitos e culturas familiares, propaganda, escola, trabalho, grupo de amigos, entre outros.
1. Obesidade na Infância

É cultural o atrelamento da gordura à saúde, principalmente em se tratando de bebês. Muitas vezes ocorre o abandono do aleitamento materno ou o desmame precoce por acreditar-se que o leite do peito não sustenta, passando ao uso de mamadeiras com alto aporte protéico-calórico.

O excesso de farinha, introdução precoce de sólidos, ingestão excessiva durante os primeiros anos de vida; hábitos inadequados :falta de horário, excesso de guloseimas, desequilíbrios dietéticos e sedentarismo infantil; ou mesmo a baixa renda, levando a um excesso de consumo de carboidratos e diminuição do consumo de proteína animal ou vegetal são os principais fatores desencadeadores da obesidade infantil.

A obesidade persistindo durante a idade pré-escolar, escolar e adolescência pode levar esta criança a desenvolver problemas psicológicos em função de comentários e gozações que podem surgir por parte de outros colegas. Essa situação leva a um ciclo vicioso pois a pouca aceitação grupal fortalece a baixa auta-estima e a desvalorização pessoal levando ao afastamento das atividades físicas.

2. Obesidade na Adolescência

Trata-se de um problema da infância que progride para essa fase ou pode ser desencadeado pelo: sedentarismo; alto consumo de sanduíches, salgadinhos, guloseimas e gorduras; horário de escola que atrapalham as refeições, substituindo-as por alimentos inadequados; o trabalho pode funcionar como agravante do sedentarismo; além da susceptibidade a propagandas.

Nas meninas, a demanda para emagrecimento ocorre frequentemente após a menarca, enquanto que nos meninos isto costuma ocorrer no início da puberdade.

3. Indicadores de Obesidade

Existem vários critérios usados para definir a obesidade na infância ou adolescência:

Alguns autores consideram a obesidade um problema moderado quando o peso da criança atige valores até 20% acima do que é considerado normal e severo quando acima de 40%.
Indicador de obesidade – avalia o quanto o peso de uma criança ou adolescente excede seu peso ideal, sendo considerado um problema leve quando IO = 20 a 30%, moderado, 30 a 50% e severa quando excede 50%:
IO = (peso corpóreo real / peso ideal) – 1 x 100
Este método é complicado para ser usado entre os adolescentes por encontrarem- se em diferentes momentos de seu crescimento físico e de sua maturação sexual.

Índice de massa corpórea (IMC):
IMC = peso / altura
Sendo considerado normais valores menores ou iguais a 19%.

4. Tratamento

A profilaxia constitui-se o melhor tratamento, com vigilância dos fatores predisponentes na infância e adolescência:

estímulo ao aleitamento materno;
disciplina de horários;
orientação às famílias sobre as necessidades dietéticas reais e individuais de seus filhos;
abolição do uso excessivo de carboidratos (principalmente refrigerantes e guloseimas);
promoção de atividades físicas.
Não recomenda-se amedrontar as crianças e adolescentes sobre os possíveis agravos de saúde que poderão ter no futuro. é importante relacionar a obesidade a uma limitação de desempenho individual e social, trazendo problemas estéticos, dificultando a prática esportiva, o uso de roupas de moda, problemas de aceitação em relação aos amigos e problemas de locomoção.

Toda perda de peso é importante ser valorizada, havendo uma análise crítica construtiva do insucesso quando não ocorrer perda. Desaconselha-se a pesagem frequente por ser um fator de angústia. O uso de medicamentos fica a critério médico.

Cuidados com a restrição alimentar que, se não bem balanceada, pode levar a desequilíbrios nutricionais. por ser um tratamento bastante complexo faz-se necessário a importância de equipes treinadas de profissionais para que se possa atingir os resultados mais satisfatórios.

A adesão dos pais também é fundamental pois servem como modelos aos seus filhos, por isso é de grande benefício que eles estimulem e alterem sua dieta, equilibrando-a, além de ensinar sobre os benefícios dos exercícios físico.

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